BYD aposta em híbridos flex e picapes para avançar no Brasil em 2027
Mako e Dolphin GT DM-i terão produção nacional, enquanto fábrica de Camaçari prepara novas etapas industriais
Após emplacar 193.262 veículos até outubro de 2026, a BYD prepara híbridos flex e picapes para ampliar sua presença no Brasil. A expansão de Camaçari será decisiva para disputar mais espaço com as fabricantes tradicionais.

A BYD prepara uma expansão no Brasil com híbridos flex e picapes para alcançar novos consumidores em 2027. Entre as apostas estão a picape Mako e o hatch Dolphin GT DM-i, ambos com conjunto híbrido plug-in, ou PHEV, e produção nacional prevista.
Até outubro de 2026, a marca emplacou 193.262 automóveis e comerciais leves, com participação de 8,02%. O resultado supera o de todo o ano de 2025, quando vendeu 112.814 unidades e ficou com 4,43% do mercado.
A expansão aproxima a BYD principalmente da Chevrolet, que detém 10,5% do mercado. A Fiat lidera o acumulado até outubro, com 19,44%, seguida pela Volkswagen, com 16,05%. Mesmo com os lançamentos, a chinesa dificilmente alcançará as duas primeiras já em 2027.
A fábrica de Camaçari, na Bahia, será fundamental nessa estratégia. Após iniciar a montagem de Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2, a empresa trabalha para colocar em operação as áreas de estamparia, soldagem e pintura, avançando para uma produção mais completa no país.
A meta é começar 2027 com essas etapas funcionando, o que permitirá fabricar a Mako localmente. A BYD também planeja elevar a capacidade da unidade dos atuais 150 mil veículos anuais para 300 mil e, futuramente, chegar a 600 mil unidades.
Já apresentada parcialmente, a Mako foi desenvolvida com foco no Brasil. Sua chegada depende das novas etapas industriais de Camaçari e coloca a fabricante no segmento das picapes intermediárias, em crescimento e com modelos como a Fiat Toro.
A picape compartilhará componentes e soluções com os SUVs da família Song, incluindo o conjunto híbrido plug-in com motor 1.5 aspirado flex. Os rivais incluem Fiat Toro, Ram Rampage e a futura Renault Niagara, que terá dimensões um pouco menores.
A Ford Maverick também participa dessa disputa com uma versão híbrida convencional. A picape da Renault, por sua vez, deverá contar com um sistema híbrido 4x4 em 2027.
Outra aposta para 2027 é o Dolphin GT DM-i. Apesar do nome compartilhado com um dos elétricos mais conhecidos da BYD, o hatch usa motorização híbrida plug-in de nova geração e foi desenvolvido inicialmente para o mercado europeu.
O modelo já está em testes no Brasil e terá fabricação nacional e motorização flex. Com preços estimados na faixa de R$ 130 mil, poderá concorrer com os próprios elétricos da marca e atrair consumidores que ainda não consideram comprar um carro elétrico.
Segundo a Quatro Rodas, uma picape menor que a Mako também está em desenvolvimento local e já passa por testes. O projeto pretende disputar compradores com a Fiat Strada e, de certa forma, com Volkswagen Tukan e Chevrolet Montana, menores que a futura picape intermediária da BYD.
A ampliação da produção nacional poderá aumentar a disponibilidade de veículos. Dependendo da estratégia comercial, também abrirá espaço para avançar nas vendas diretas, que representam uma parcela importante do mercado brasileiro.
A aposta nos híbridos responde às particularidades do país, especialmente às distâncias e à infraestrutura de recarga fora dos grandes centros. Embora os elétricos cresçam, o mercado brasileiro ainda demonstra maior segurança com híbridos pela possibilidade de usar combustível em viagens longas.
Das mais de 193 mil unidades emplacadas pela BYD em 2026, 69.031 são do Dolphin Mini e 40.670 do Dolphin. Os números mostram a força dos elétricos de entrada, mas os híbridos também alcançam volumes expressivos em faixas de preço superiores.
A GWM, por exemplo, emplacou 44.670 unidades do Haval H6 no acumulado do ano. O SUV tem preço médio na faixa de R$ 250 mil.
Segundo a ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, o Brasil tem 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga. Desse total, 26,3% estão no estado de São Paulo.
A concentração regional também é elevada: Sudeste e Sul reúnem 66,7% dos pontos. O Sudeste responde por 42,4%, enquanto o Sul concentra 24,3%, deixando a infraestrutura restrita principalmente a uma parcela do território nacional.
Nos híbridos PHEV, a propulsão elétrica trabalha em conjunto com o motor a combustão. Dependendo da condição de uso, esse motor também pode gerar energia para a bateria, reduzindo a dependência exclusiva dos pontos de recarga.
A BYD já conquistou espaço entre os SUVs médios com Song Pro e Song Plus e entre os sedãs com o King. Depois, ampliou a atuação com o Atto 2, lançado para disputar o segmento de SUVs compactos, um dos mais importantes do Brasil.
Com uma linha que avança dos hatches compactos aos SUVs e às picapes, a fabricante amplia a disputa por consumidores historicamente atendidos por Fiat, Volkswagen, Chevrolet e Hyundai. Os planos para 2027 combinam novos segmentos, híbridos flex e expansão industrial para conquistar uma parcela maior do mercado.
Fonte: Motor1 Brasil


