Imposto Seletivo prevê isenção para 12 carros 1.0 a partir de 2027
MP mantém estrutura do IPI Verde, mas precisa de aprovação do Congresso para virar lei e valer no próximo ano.
A MP 1.399/2026 prevê alíquota zero para 12 modelos 1.0, além de veículos destinados a PcD, pessoas com autismo e taxistas. As demais alíquotas seguem a estrutura do IPI Verde, com ajustes por características do veículo.

O Imposto Seletivo (IS), previsto para começar em 2027, terá alíquota zero para 12 modelos com motor 1.0 e veículos destinados a pessoas com deficiência, pessoas com transtorno do espectro autista e taxistas. Para os demais, a cobrança seguirá critérios como motorização e potência.
O governo federal publicou na quarta-feira (4) a Medida Provisória 1.399/2026, que define as alíquotas. O texto precisa ser aprovado pelo Congresso até o fim deste ano para virar lei e ser aplicado em 2027. Sem isso, a cobrança pode enfrentar um impasse jurídico.
Segundo Pedro Poceiro, diretor da Loureiro Poceiro Contabilidade, a definição das alíquotas deve respeitar a noventena, prazo de 90 dias para o contribuinte se adaptar aos impactos dos tributos. Ele afirma que o IS ainda precisa ser regulamentado e virar lei.
Poceiro também aponta a exigência constitucional da anterioridade anual. Caso os prazos não sejam cumpridos neste ano, a aplicação do imposto poderá ficar para 2028.
As alíquotas previstas são temporárias, válidas até o fim de 2027, e seguem a estrutura do IPI. As definitivas serão definidas pelo Congresso em 2028.
A isenção alcança os automóveis da lista do programa Carro Sustentável, cujo encerramento estava previsto para este ano. Com a regra, o benefício terá continuidade para os 12 modelos, todos com motor 1.0:
- Chevrolet Onix: MT, MT Turbo e Eco.
- Chevrolet Onix Plus: MT, MT Turbo e Eco.
- Citroën Basalt: Feel.
- Citroën C3: Live Go, Live Plus e Feel Plus.
- Fiat Argo: Drive 1.0.
- Fiat Mobi: Like e Trekking.
- Hyundai HB20: Comfort 1.0 MT e Limited 1.0 MT.
- Hyundai HB20S: Comfort 1.0 MT e Limited 1.0 MT.
- Renault Kardian: Vibe.
- Renault Kwid: Evolution, Techno e Outsider.
- Volkswagen Polo: Track, Robust e TSI 1.0 MT.
- Volkswagen Tera: 1.0 MPI.
Para os veículos tributados, a base será a do IPI Verde. Segundo Felipe Azevedo Maia, sócio fundador do AZM Advogados Associados, a MP repete essa estrutura, com alíquota-base de 6,3% para automóveis e de 3,9% para comerciais leves.
Esses valores recebem acréscimos ou reduções conforme motorização, combustível, eficiência energética, densidade industrial e itens de segurança. Na avaliação de Maia, a carga efetiva do IS deve ficar próxima à do IPI.
Nesse contexto, montadoras nacionais investiram em versões movidas somente a etanol. São os casos dos Chevrolet Onix e Onix Plus Eco e da Volkswagen Saveiro Robust Etanol.
Outro movimento recente foi a redução da potência do motor T200 pela Stellantis. O propulsor, usado em carros de Fiat, Peugeot e Citroën, passou de 130 cv para 115 cv.
A reforma tributária, que entrará em vigor a partir de 2027, deverá afetar os preços dos carros e a definição das linhas de produtos das montadoras. O Imposto Seletivo será um substituto parcial do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
Também chamado de “imposto do pecado”, o IS busca desestimular o consumo de bens prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. No setor automotivo, o objetivo é atingir os veículos mais poluentes.
Fonte: Quatro Rodas


